A inocência de nadar NU
Publicado por Os Naturistas

A inocência de nadar NU

Hoje eu reli matéria escrita em fevereiro de 2013 de título bastante sugestivo: “Homens e mulheres nadam nus em competição na Austrália”. Foi na primeira edição do “Sydney Skinny”.
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A competição aconteceu na praia de Cobblers, em Sydney, cidade mais populosa da Austrália, e a prova de natação, com percurso de 900 metros, tinha que ser feita obrigatoriamente sem roupa. O evento reuniu mais de 400 pessoas, que não se incomodaram pelo fato de serem obrigadas a nadar sem roupa. O valor da inscrição da prova foi revertido para a Fundação de Parques Nacionais e Vida Selvagem da Austrália. Numa sociedade evoluída as pessoas têm um comportamento diferenciado, onde os preconceitos praticamente inexistem, de modo que não interferem nos relacionamentos de grupo. Nadar nu, simplesmente um episódio comum, dentro de uma atmosfera de “cumplicidade participativa” – o caráter de total normalidade deu o toque final ao encontro.

Imaginemos no Rio de Janeiro a realização da primeira edição do “Copacabana Skinny” ou do “Ipanema Skinny”, todo mundo nadando pelado, totalmente à vontade, pessoas nuas como vieram ao mundo. Não iria dar certo. Por quê? Qual a diferença dos cariocas para os australianos? Cultura. Simplesmente uma questão de cultura, que faz a grande diferença entre as sociedades e estabelece padrões de conduta. Coitado do Rio de Janeiro e dos cariocas – podem ficar tranquilos porque em qualquer outra praia do Brasil, exceto aquelas próprias para a prática do Naturismo, o fuzuê seria igual ou pior. Coisa de cultura, ou falta dela! Podemos atribuir também aos níveis de evolução dos povos, de acordo graus de conhecimento atingidos e consciência aplicada. Pessoas há que se encontram em estágios de involução – movimentos de regressão, sobretudo intelectual, e isso não tem nada a ver com instinto de preservação –, de modo que tal fenômeno provoca retrocesso social, motivado por aparentes necessidades de se adotar modelos seguidos pela maioria. A involução, nesse caso, coloca-se contrária (opõe-se) à diferenciação.

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Respeitemos a opinião de cada um; respeitemos as pessoas que não manifestam opinião, quando escassa. Recorri às redes sociais e lá estavam gravados alguns comentários de internautas brasileiros depois que viram as fotos do Sydney Skinny: “Mulher nua é mais bonita de se ver do que homem nu!” – “Eu também Reginaldo, prefiro mil vezes um homem pelado na minha frente do que uma mulher!” –“Evolução! Quando tiramos a roupa vemos que a idade da pedra foi ontem” – “Nadar no mar pelada é bom demais, à noite então melhor ainda, a água é morninha” – “Não tenho coragem!” – “Nossa, esse careca da esquerda aí é broxante!” – “Pô! Eu não apareci na foto. Sacanagem” – “A loira da primeira foto deve ter uma bela periquita” – “Não consigo ver normalidade nisso. Indecente. Onde é que já se viu nadar nus todos juntos, pais, filhos e outros membros da família? Onde é que está a privacidade de cada um e a consciência individual? Acho isso muito indecente” – “Adoro loira. Essa é gostosa!” – “Tem um aí que parece ter três pernas!” – “Por que sempre só tira a roupa quem deveria ficar vestido?” – “Tinha que aparecer um tubarão ali gente. Ia arrebentar as fimoses todas!”. É isso aí amigos leitores, abre-se um precipício profundo na nossa frente, impedindo-nos de dar o próximo passo. Sem comentários como réplica.

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Pegue um álbum de fotografias da família, de preferência aquele esquecido no fundo duma gaveta da cômoda da sua mãe, ou da sua avó. Abra-o. Provavelmente nele encontrará alguma foto antiga, amarelada, de crianças brincando nuas, e você pode estar lá, ser uma delas; olhe bem… você viu como é natural, normal, sem maldades? Somos resultado dos nossos reflexos. Vivemos numa sociedade doente; somos produto acabado de recalques, condicionamentos estruturados, neuras, complexos de superioridade, de inferioridade, de culpa. Dispa-se dos preconceitos, das críticas. Olhe-se no espelho, mas antes tire toda a roupa para que outras energias capturadas pelos tecidos industrializados não influenciem negativamente, e pergunte-se: Como me vejo? Quem sou eu? Se estiver a salvo do precipício responda a si mesmo.

Por Augusto Avlis, Editora N

Equipe OS NATURISTAS

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