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Nus por baixo da roupa!

27 Maio 2017

O nascimento deste artigo foi fácil. O período de gestação, no entanto, mediu muitos anos. Nos anos de prática clínica de John, ele tornou-se ciente do abismo que, na maioria das pessoas, parecia separar a mente do corpo.




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O abismo resultante de séculos de ditames sociais sobre códigos morais e éticos de comportamento. Ditames que deram origem à rejeição do homem actual do que é mais natural e mais bonito – o corpo humano. Sua motivação veio de ver as limitações que as pessoas impuseram a si próprias e, como resultado, à sua saúde.

A sua inspiração para a escrita deste texto veio de observar a transformação dos pacientes e alunos que escolheram fazer a ponte sobre o abismo de doutrinações. Pessoas que optaram por investigar a sua necessidade de roupas, o seu medo da nudez e o despudor a que a aceitação incondicional dos códigos morais, os foram submetendo.

Esta não é uma cartilha sobre a desobediência civil, antes um olhar sobre o que fazemos no que diz respeito aos nossos próprios corpos, o que não nos permitirmos fazer e porquê. Houve inúmeros expoentes da importância do nudismo, e do relacionamento saudável para a nudez. De antigos místicos indianos e filósofos gregos a grandes pensadores contemporâneos, tais como Wilhelm Reich e Carl Jung, a nudez tem sido abordada em profundidade, mas as suas palavras caíram muitas das vezes em ouvidos surdos e, largamente encontraram mentes ofendidas pelo medo.

Lalla, a lendária mística mulher do século 13 de Caxemira, na Índia, talvez tenha descrito da melhor maneira a potencial alegria e sacralidade que estamos negando a nós mesmos, quando escreveu:

Dança, Lalla, com nada se não o ar.
Canta, Lalla,
Vestindo o céu.
Olha para este dia brilhante!
Que roupa poderia ser tão bela ou
mais sagrada?

Este artigo pode contestar as atitudes e crenças, mas pede apenas que entretenha as ideias e sugestões com uma atitude de investigação. O percurso de John na medicina chinesa, metafísica e nas artes marciais proporcionou-lhe o benefício de uma visão única sobre a qual se apresentam as suas observações. Ele pinta um quadro muito impulsionador dos benefícios do nudismo. Mais importante ainda, saímos do texto seguinte cientes de que é um assunto que está a ser tratado e que deveria há muito ter a devida consideração e acção pública.
Alegria pessoal e paz interior são duas boas razões para ler este texto, pois o seu propósito é claramente explorar um dos reinos que nos oferece tanto.

Esther Veltheim – Dezembro 1994

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A psicologia do corpo

Progressivamente, ao longo dos séculos, a sociedade desenvolveu o uso de roupas como uma máscara. O vestuário foi originalmente usado e projectado para proteger as pessoas contra os elementos do calor e do frio, contra possíveis queimaduras ou congelamento. Também foi usado como um método de adorno para melhorar a atractividade e para razões rituais e cerimoniais. Nos últimos séculos, as pessoas desenvolveram uma dependência cultural da roupa. As vestes tornaram-se uma máscara e um adereço de suporte para tapar falhas, muitas vezes percebidas, de personalidade e de caráter.
Nós, frequentemente nos cruzamos com pessoas que nem mortas seriam vistas sem a sua roupa. A roupa é muitas vezes usada para retratar uma imagem que é diferente do que a pessoa é na realidade. É uma forma de artificialidade ou mascaramento que exteriormente serve para encobrir personalidades ou defeitos emocionais que as pessoas pensam que têm. As pessoas tendem a sentir que, escondendo-se atrás de roupas podem cobrir-se metaforicamente e negar aos outros a exposição ao eu interior. A necessidade de fazer isso ocorre mais em pessoas com baixa auto-estima.

Moda

Este processo está sendo incentivado pelos excessos culturais das revistas de moda numa indústria com um interesse monetário muito forte na promoção da roupa. Este interesse industrial especial, cria a crença de que a roupa é um elemento essencial à própria vida, ao invés de um auxiliar prático e divertido, e o mal é que muitos aceitam isto cegamente. A pessoa média pensa na roupa como uma das necessidades da vida que transcende a mera protecção e se expande para o reino do caráter, personalidade e auto-estima.

Culpa

Em consonância com essa tendência existe uma tendência paralela para associar automaticamente a nudez à actividade sexual. Muitas religiões indicam a actividade sexual como um pecado, e por associação, optam por ver a nudez como um pecado também. Algumas religiões usam este argumento como uma forma de manipular as pessoas para se sentirem culpadas pela nudez, e pessoas culpadas então acham que precisam da igreja para perdoá-las. Além disso, as pessoas que se sintam culpadas podem ser facilmente controladas por qualquer autoridade. Pessoas vibrantes, saudáveis​​, livres de culpa e com a auto-estima elevada são tradicionalmente muito difíceis de ‘gerir’ ou de controlar pelas igrejas ou governos. Através da combinação das influências acima referidas, muitas sociedades criaram leis para tornar ilegal o que muitos acham natural.

Quando é que é errado ficar nu? Um bebé recém-nascido nu não é considerado errado ou mau. Com que idade esta criança torna-se má? É aos 18 meses ou quando eles já têm três anos. Uma criança de dois anos nua na praia é geralmente considerado normal e inofensivo. Então, quando é que uma criança já não é uma criança? É aos quatro anos de idade ou aos dez anos de idade? Pessoas com problemas com a nudez, muitas vezes, dizem que é quando eles atingem a idade escolar, ou seja, por volta dos cinco anos de idade. Com este conceito, podemos deduzir que uma criança nua na praia com 4 anos 364 dias 23 horas e 59 minutos é uma criança saudável com uma boa atitude para com a vida. Um minuto depois, quando a criança faz cinco anos, é de repente uma criança impertinente, pecaminosa porque ele / ela ainda está nu / nua! Este conceito é obviamente uma farsa.

Auto-estima

A criação desta atitude absurda, muitas vezes surge devido a questões de baixa auto-estima, desenvolvidas numa idade muito jovem. As crianças são influenciadas por ambientes que produzem muitas atitudes negativas sobre si mesmas. É-lhes dito, directamente ou através de determinadas acções, que eles não são perfeitos, não são amáveis, não são bons o suficiente, são impertinentes, etc. Como adultos, eles sentem a necessidade de camuflar estas ditas insuficiências na personalidade e no carácter, e muitas vezes são criadas uma série de atitudes e crenças para compensar essas deficiências. Eles também desenvolvem uma série de máscaras para tentar cobrir algumas fraquezas. Por exemplo, uma pessoa que se sinta no fundo frágil, muitas vezes coloca uma máscara de uma personalidade “difícil” e adota uma postura agressiva.

As roupas são usadas continuamente neste processo, a pessoa fraca usa muitas vezes vestuário poderoso ou agressivo. A pessoa ‘atrevida’ veste roupas desenhadas para dar-lhe aceitação e fazê-lo parecer “bom”. A pessoa não amada tenta mostrar que ele / ela não se importa e usa roupas rebeldes e ‘inaceitáveis’. A pessoa “culpada” retrata-se com roupas ‘puras’ com a atitude de ‘santinho’.
As pessoas que não se aprovam, no fundo também se cobrem tornando-se juízes dos outros. Eles sentem que, puxando alguém para baixo, eles estão trazendo essa pessoa para baixo para o seu nível. Eles garantem que sempre vestem a roupa “certa” para cada ocasião para que eles não sejam mal julgados. As pessoas que odeiam ser julgadas são as pessoas que tendem a fazer julgamentos elas mesmas.
Todo este processo é lamentável, porque as pessoas que pensam que têm uma baixa auto-imagem, acham que o que estão a esconder não é o seu eu verdadeiro. É simplesmente uma outra máscara num nível profundo. O verdadeiro eu encontra-se abaixo de um conjunto de sistemas e de crenças que são ensinadas em criança. Em situações onde as pessoas são capazes de “descascar” as máscaras externas e expor o verdadeiro eu, sempre encontram alguém de que eles gostam e em que se sentem bem.

Nós nascemos puros, amáveis e inocentes. Quanto mais cedo pudermos voltar a ter contacto com isso, mais cedo podemos experienciar a alegria da vida. A única razão, pela qual não vivemos a abundância total da alegria, da segurança, do amor, e da paz é porque resistimos activamente àquelas coisas que são nossas por nascimento. Nós resistimos, criando máscaras que agem para nos separar de nossos verdadeiros eus interiores e separar-nos da abundância.

Desligar

Quando as pessoas usam roupas como um meio de se desligarem do mundo e cobrem-se de modo a que o mundo não consiga ver a sua destorcida auto-imagem interior, elas criam uma tragédia de proporções imensas. Quando se escondem atrás das roupas, as pessoas fecham o seu corpo energicamente e psicologicamente. Um corpo saudável tem a sua energia, o sistema nervoso, e as forças da vida a fluir livremente por todo ele. Ao desligar psicologicamente e fisicamente, a energia do corpo é desligada, distorce e flui de forma anormal. Isto provoca grandes alterações no crescimento espiritual, emocional, mental e físico.
Um sistema de energia reprimido torna-se inflexível e rígido. Isto é facilmente perceptível nas atitudes inflexíveis que encontramos tantas vezes na nossa sociedade, bem como a tendência da raça humana para desenvolver corpos rígidos, inflexíveis e artríticos.

Interagir com a vida

Fechar e isolar a sua energia também tem um efeito dramático na sua capacidade de se relacionar com as outras pessoas e com o mundo. Houve muitos livros que recentemente demonstraram que somos sistemas de energia que constantemente interagimos com todos os sistemas de energia do nosso ambiente. Nós alimentamo-nos da energia do mundo que nos rodeia. Até 40% do nosso consumo de oxigênio é através de nossas peles, (menos o que sufocamos através das roupas sintéticas e excesso de maquilhagem!) Indivíduos saudáveis ​​obtém uma grande percentagem da sua energia através da sua pele a partir da atmosfera, das árvores, plantas e de toda a natureza. (As pessoas carentes também extraem energia de outros seres humanos como parasitas.) Isto também envolve uma troca de energia saudável. Nós tiramos e damos energia. A nossa capacidade de fazer isso depende da abertura e da flexibilidade dos nossos sistemas de energia.
Quando as pessoas se desligam psicologicamente e fisicamente, especialmente através da metáfora da necessidade das roupas para se esconderem do mundo, não estão apenas a esconderem-se das outras pessoas, elas escondem-se do mundo. Eles bloqueiam a troca de energia e reduzem a vitalidade total disponível para eles. Eles também prejudicam a sua capacidade de se relacionarem e interagirem com o mundo. Essa interacção é um critério essencial para qualquer organismo saudável. Todas as células, animais, plantas e seres humanos sobrevivem de acordo com suas inter-relações com o mundo à sua volta. Quando as pessoas se isolam, elas prejudicam a sua capacidade de crescerem e de processar o mundo como deveriam.

A necessidade da roupa

Há muitas maneiras de se isolar e encerrar o processamento da vida. Um método proeminente é o desligar através da necessidade da roupa. Não é o uso das roupas que é o problema, é a necessidade das roupas – quando não se pode fazer sem roupa, porque precisa de uma máscara.
As pessoas dizem: “não me preocupa se eu tiver as minhas roupas ou não.” Isso é óptimo se realmente for verdade. Como se sentiria realmente se fosse nu / nua para o trabalho ou se ficasse nu / nua em público? (Assumindo que seria legal fazê-lo.) Qual seria o impacto sobre si? Qual seria a sua preocupação sobre a maneira como as pessoas iriam julgá-lo? Precisamos de olhar muito atentamente quanto à possibilidade ou não da nossa roupa ser uma forma de nos mascarar e de nos proteger emocionalmente.

Enfraquecimento

Esta máscara, este encobrimento, esta utilização das roupas para nos desligarmos, enfraquece-nos. A sociedade está muito cheia de pessoas impotentes que dão a responsabilidade financeira aos gestores e aos banqueiros. Também entregam as responsabilidades da saúde aos médicos, as responsabilidades emocionais aos seus cônjuges e enfraquecem-se constantemente afastado as responsabilidades em muitos aspectos diferentes da sua vida. Mais grave ainda é a forma como as pessoas encerram a sua própria capacidade de interagir na vida, tirando a energia e a vitalidade do seu ambiente, e enfraquecendo-se apesar das suas carências para as máscaras da roupa.

Mente e saúde

A mente é uma influência muito poderosa sobre a sua saúde. É geralmente aceite na psicologia que muitas doenças são criadas através das suas atitudes mentais em relação ao seu corpo e a nós mesmos. Infelizmente, a nossa sociedade cultiva uma atitude negativa para com os próprios corpos que tentam manter saudáveis. Muitas crianças são criadas a acreditar que o seu corpo é perverso e que deve ser coberto – algo de que se envergonhe. Isto cria uma marca duradoura sobre o eu interior e a psicologia da personalidade. Pensamentos distorcidos como este podem acompanhá-lo por toda a vida a menos que você procure activamente corrigi-lo. Na verdade, ele pode terminar com a sua vida muito mais cedo!

Stress

O efeito negativo de ter vergonha do nosso corpo, vai afectar a nossa imagem de nós mesmos e ser uma fonte constante de stress. A imagem negativa do corpo pode ser considerada uma causa importante de tensão na nossa sociedade. Isto terá uma profunda influência sobre o funcionamento do corpo e da sua capacidade de se manter saudável porque altos níveis de stress são um factor significativo predisponente à doença. Isto pode ser visto particularmente em crianças que são compradas com atitudes corporais distorcidas. A muitas crianças, estão a ser actualmente receitados tranquilizantes.

Por Evandro Telles, editora N

Equipe OS NATURISTAS