Em Zipolite, de volta ao México dos anos 1960
Publicado por Os Naturistas

Em Zipolite, de volta ao México dos anos 1960

Com apenas uma rua principal e nenhum caixa eletrônico, a praia hippie mostra um nostálgico litoral Pacífico

ZIPOLITE – Ao me entregar as chaves do quarto, o dono do hotel Brisa Marina, Daniel Wiener, disse sorrindo:

— Você vai gostar daqui. E ao fim de cinco dias não vai querer ir embora.

Alguns dias de preguiça depois, comecei a entender porque tantos visitantes alugavam casas para um mês inteiro. Entre muitos povoados que habitam a costa do Pacífico no estado sulista de Oaxaca, Zipolite se estende de Puerto Escondido a Huatulco. Com um clima relaxante num cenário de tranquilidade, onde há apenas uma rua principal e nenhum caixa eletrônico, Zipolite exerce esse efeito sobre as pessoas.

A comunidade hippie descobriu Zipolite na década de 1960 e o local se transformou num ponto turístico alternativo. Sua praia rústica se estende por dois quilômetros entre duas falésias, e seus frequentadores se dividem igualmente entre mexicanos de classe média e turistas independentes de todo o planeta. Hippies das antigas, jovens em busca de aventura e moradores, todos se misturam em harmonia.

Zipolite ganhou fama como locação para as tórridas cenas rodadas na praia do longa mexicano “E sua mãe também” (2001), com Gael García Bernal e Diego Luna, de Alfonso Cuáron. Também é conhecida como uma das poucas praias de naturismo do México, embora a maioria dos frequentadores permaneça vestido (na enseada Playa de Amor, a nudez é praticada mais abertamente).

Zipolite não tem hotéis altos. Muitas de suas estruturas à beira-mar são quiosques e cabanas. O Brisa Marina surgiu com estrutura de madeira e cobertura de palha, mas após um incêndio em 2001, foi reerguido com cimento.

Quem espera ali uma vida noturna agitada nos moldes de Cancún, com margaritas enormes e garçonetes de biquíni, vai se desapontar. Sim, existe noite em Zapolite, mas bem diferente. O costume é reunir-se na praia no fim do dia para assistir ao pôr do sol. Os restaurantes e bares oferecem música ao vivo e entretenimento. E a única rua pavimentada fica animada com com artesãos vendendo bijuterias e performances de músicos, malabaristas e engolidores de fogo.

Um dos lugares mais divertidos é o restaurante Posada Mexico, com shows que variam de performances acrobáticas estilo Cirque du Soleil a covers de rock como o do pequeno Cainn Cruz, um impressionante prodígio na guitarra que eletrizou a casa interpretando Pink Floyd, Led Zeppelin e AC/DC. Há ainda Shambhala, um retiro espiritual debruçado no alto de uma montanha, que dá boas-vindas aos turistas com um ponto de meditação com vista para o Pacífico.

O nome Zipolite tem origem indígena. Pode significar “lugar acidentado”, em referência às montanhas; ou praia dos mortos, devido às fortes correntes do mar. A praia tem guarda-vidas voluntários e as áreas perigosas são marcadas com bandeiras vermelhas.

Wiener, que tem o hotel desde 1997 e divide seu tempo entre Zipolite e Califórnia, diz que 50% de seus hóspedes voltam. E, como ele previra, depois de alguns dias, liguei para a companhia aérea para mudar meu voo. Precisei ficar mais uma semana.

Por Jodey Kurash, editora N
Equipe OS NATURISTAS